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Primeiro debate pelo Governo de Minas mostrou candidatos preocupados com os problemas do Estado e, na minha leitura, reforçou a importância de experiência administrativa e de fugir da velha polarização nacional.

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Assisti pelo YouTube ao primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Minas Gerais, promovido pela Band no domingo, 16 de agosto, e uma coisa me agradou logo de saída: Minas esteve no centro da discussão.

Participaram Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD). Patrus Ananias (PT), embora convidado, não compareceu. (Band⁠)

Em vez de transformar o encontro em mais um capítulo da eterna briga Lula contra Bolsonaro, boa parte do debate girou em torno de problemas concretos dos mineiros: dívida do Estado, Propag, estradas, segurança pública, privatizações, mineração e situação fiscal. A própria cobertura da Folha destacou que o encontro privilegiou temas estaduais e não reproduziu integralmente a polarização nacional. (Folha de S.Paulo⁠)

E isso, para mim, já é uma boa notícia.

Entre as participações, Alexandre Kalil foi quem mais me chamou a atenção. Não apenas pelo estilo direto, que todos já conhecem, mas pela experiência que leva para uma discussão dessa natureza. Kalil foi prefeito de Belo Horizonte e chegou ao debate confrontando diretamente decisões dos governos Zema e Simões, especialmente na discussão sobre a dívida mineira e o Propag. (Folha de S.Paulo⁠)

Pode-se concordar ou discordar dele — e eu mesmo tenho divergências com várias posições políticas —, mas experiência administrativa conta. Quem já esteve do outro lado da mesa, administrando uma grande cidade, conhece as limitações do orçamento, da máquina pública e das relações entre municípios, Estado e União.

Do outro lado, Flávio Roscoe me causou uma impressão bem diferente. Ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a Fiemg, ele foi descrito pela cobertura da Folha como um participante mais discreto no debate. (Folha de S.Paulo⁠)

Durante a transmissão, chamou particularmente minha atenção ouvi-lo empregar a palavra “cidadões”, em vez de “cidadãos”. É um detalhe de português? Evidentemente. Mas política também é comunicação.

E o que mais me intriga não é simplesmente alguém cometer um erro — todos cometemos. É imaginar que uma pessoa que ocupou durante anos posições de enorme destaque empresarial possa carregar um vício de linguagem tão básico sem que ninguém ao seu redor tenha tido liberdade para corrigi-lo.

Para mim, isso levanta uma reflexão muito maior do que a gramática: quanto mais alto alguém chega, mais precisa ter perto de si pessoas capazes de dizer que ele está errado.

Talvez esse seja um dos maiores males do poder. Quando ninguém mais corrige o chefe, o presidente, o empresário ou o político, pequenos erros permanecem — e erros muito maiores também podem permanecer.

O debate da Band deixou diferenças claras de estilo. A Folha classificou Cleitinho como conciliador, Roscoe como discreto e apontou Kalil, Gabriel Azevedo e Mateus Simões entre os participantes de postura mais combativa. (Folha de S.Paulo⁠)

Minha conclusão pessoal é simples: gostei de ver um debate mais voltado para Minas Gerais do que para Brasília.

Precisamos discutir estrada, segurança, dívida, emprego, desenvolvimento, mineração, municípios e serviços públicos. O eleitor mineiro já conhece de sobra a guerra ideológica nacional.

Agora precisa conhecer quem tem preparo para governar Minas.

Menos polarização. Mais Minas Gerais.

Machadada do Dia. 🪓


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