Conta-se que, certa madrugada, um homem atravessou a divisa de Minas carregando uma mala que não passava em detector algum. Dentro dela havia um mandato cassado, anos de prisão, processos, sentenças posteriormente anuladas e uma ambição política que se recusava a morrer. O homem era Eduardo Cunha. Na estranha República fantástica, condenações podem virar fumaça, escândalos trocam de roupa e antigos presidiários reaparecem diante do povo vestidos de salvadores. Mas a realidade conserva datas: Cunha foi cassado pela Câmara em 2016, ficou preso entre outubro daquele ano e abril de 2021 e chegou a ser condenado no âmbito da Lava Jato. Suas condenações federais foram depois anuladas por questões processuais e de competência, o que precisa ser registrado , mas decisão judicial nenhuma consegue apagar o calendário ou reescrever a memória do país. Em outra ala desse mesmo palácio imaginário aparecem Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e José Dirceu, símbolo histórico do PT. Suas situaçõe...